Devo confessar que por vezes fico espantado com minha ignorância sobre impostos, taxas e assuntos financeiros em geral. Escrevo este post mais como uma forma de não esquecer o que aprendi recentemente sobre taxas de importação no Brasil. No final mantenho minha filosofia de arrendondar gastos para cima e ganhos para baixo.

Na semana passada fiz uma pequena compra em um loja virtual americana, nada grandioso, apenas um HUB USB que eu paquerava a algum tempo e outros supérfluos. Somando os preços individuais atingi $49,95 dólares, mas ainda havia o preço do frete, ou seja, o valor para que uma companhia trouxesse o pacote dos EUA até a minha porta. Sem surpresas o preço do frete ficou mais caro que a própria compra, $56,76 dólares. Somando tudo temos $106,69 dólares e utilizando uma cotação de R$ 1,9673 (a mesma que foi utilizada para o cálculo dos impostos) eu pagaria R$ 209,89 por tudo.

Ao entrar no Brasil, temos que calcular o imposto de importação, que para esse tipo de mercadoria é de 60% sobre o valor da compra. Resultando numa taxa de R$ 125,93. O interessante é que o imposto de importação é calculado sobre o valor da nota fiscal, ou seja, ele também levou em conta o preço que paguei para a entrega do produto. Sinceramente fico pensando se isso faz algum sentido, de certa forma não estou importando a entrega apenas as mercadorias. E a empresa de entrega atua no Brasil, portando também paga seus impostos, mas enfim, continuemos.

Agora a compra começou a ficar mais salgada, somando temos R$ 335,82 de gastos. Se lembrarmos do que eu realmente comprei ($49.95, ou seja, R$ 98,27) o preço já inflacionou em R$ 237,35 ou 141,53%.

Chegamos ao preço final? Não. Não podemos esquecer que não é apenas o governo federal que coleta impostos mas também o estado, estou falando do ICMS, e este no Rio de Janeiro é de 12% o que resulta em mais R$ 63,97, uma conta de R$ 399,79 até o momento. E como diz o narrador dos comerciais da Polishop "Mas não é só isso, você também leva uma taxa administrativa de R$ 49,68!" Pois é, a empresa de transporte também adiciona, ao chegar no Brasil, uma taxa para lidar com a importação e receita federal. E finalmente temos o preço final R$ 449,47.

Recapitulando, partimos de compra de mercadorias no valor de R$ 98,27 e terminamos com uma conta de R$ 449,47 o que dá aproximadamente 357% do preço original ou quatro vezes e meia mais caro.

Sim, a compra foi de supérfluos e também a entrega foi expressa portanto eu deveria esperar que o total não fosse barato, não é? É, mas eu não esperava, não esperava mesmo. Não apenas pela ignorância de todos os detalhes envolvidos nisso, mas pela magnitude. Quatro vezes e meia? Trezentos e sessenta porcento? Não, eu não esperava. Quando compramos online estamos de olho nos preços individuais das mercadorias, ao fechar a compra olhamos o preço do que realmente compramos e quanto custará a entrega. Creio que poucos sabem e lembram de fazer todos os cálculos para saber qual será o total gasto quando o pacote chegar a sua casa.

Ao escrever este post fiz algumas pesquisas, li sobre impostos e seus famigerados Fatores Geradores, leis complicadas com propósitos por vezes obscuros e difíceis de entender. Como desenvolvedor de software observo com olhos amedrontados e fascinados toda essa complexidade, e me pergunto se juristas e contadores possuem o mesmo medo e fascinação quando observam a minha profissão.

Obs: Compras internacionais no Cartão de Crédito incorrem em IOF, ou seja, a conta final é ainda um pouco maior do que R$ 449,47.

Como no início, arredonde os gastos para cima e os ganhos para baixo. De certa forma esse é o efeito das taxas e impostos sobre nossas movimentações financeiras.